segunda-feira, 26 de julho de 2010

Enxergando a nós mesmos - Parte I : O Quarto da Bagunça

Olá,

Entrevistadores famosos como Marília Gabriela, Clodovil Hernandez entre outros, usavam como estratégia confrontar seus entrevistados através de perguntas que procuravam vasculhar o mais íntimo de cada história de vida. Perguntas como “Você por você mesmo” ou “Olha para aquela câmera e diga pra mim” visavam vasculhar as intimidades de cada um que se arriscava em aceitar os convites para uma entrevista.

Eu te pergunto: Você já tentou se definir? Já expôs seu coração?

Evidente que é mais fácil, e mais confortável eu diria, analisar os outros. Mas quando viramos as lentes para nós mesmos tudo fica mais complexo. Não é meu objetivo “filosofar” parafraseando livros de auto-ajuda ou acomodá-lo em meu pretensioso divã, gostaria apenas que você fizesse um esforço e considerasse meus conceitos, que embora empíricos, refletem o que entendo como verdade.

Para ilustrar nossa “viagem ao centro de nós mesmos” usarei figuras das mais distintas e mais tarde aplicarei tudo nas minhas conclusões:

(1) O quarto/porão da bagunça:

quarto02

Desde pequeno vejo o meu pai citando este lugar, às vezes criticando sua existência em outro momento ajudando a enchê-lo de tranqueiras. Morei em uma casa que tinha um porão. Lá, no porão, meu pai guardava madeiras (sobras da construção) latas de tinta, ferramentas, materiais de limpeza e outras coisas sem utilidade ou fora do prazo de validade. O porão vivia sendo visitado por ratos enormes que meu pequeno cachorro insistia em caçá-los em cenas hilárias e perseguições implacáveis! Hoje em dia na minha casa atual, existe um quintal que divido com minha sogra. No quartinho é depositado quase tudo que não serve ou está muito velho. Neste lugar frio e úmido existem ferramentas, tinta, peças de carro, rolos de pintura, cadeiras de praia, sacos de cimento, parafusos e porcas, brinquedos velhos, estantes de ferro (ufa) entre outras coisas que tenho até medo de olhar.

O Interessante é que todos reclamam, criticam, mas ninguém resolve limpá-lo definitivamente, e o quarto continua amarrotado de coisas sem utilidade e guardadas sem propósito.

Simbolicamente falando pessoas mantêm este quarto dentro de seus corações, lugares que não queremos limpar. Aonde sentimentos foram se alojando como parasitas que se alimentam das vitaminas do organismo. Não queremos mais “usar” nada deste lugar, mas não desistimos de guardá-los.

Páginas deveriam ser viradas, pessoas esquecidas, situações adversas vencidas. A vida deveria subjugar a morte, o amor vencer o jugo do ódio.

Infelizmente muitas vezes este dilema permanece e o quarto continua enchendo...

- Nossa como há tranqueira neste porão - minha mãe dizia.

E os “ratos” continuam sendo perseguidos...


Continua......

Um comentário:

  1. Jair,
    Quando li seu post, fiquei lembrando do famoso "quartinho das tranqueiras" que mencionou.
    É verdade quando aplica na vida real das pessoas esse quartinho como nosso coração. E como guardamos e não esquecemos coisas passadas, mágoas, ressentimentos, pessoas que marcaram negativamente, situações detestáveis, etc... Precisamos limpar essa bagunça toda.
    Mas, permita que eu faça um parênteses. Mesmo quando limpamos, as vezes surgem pessoas furtiva e inesperadamente tentando por dentro desse quartinho lembranças e fatos que já havíamos limpado e lançado fora. Aconteceu comigo recentemente. Uma pessoa que imaginei nunca mais ver ou falar me achou pela net e por várias vezes tentou me fazer pecar. Graças a Deus estou firmado em Cristo e não permiti tal abordagem maligna.
    O diabo não aceita a limpeza desse tão falado "quartinho da bagunça". Sua intenção é que deixemos a bagunça como está e mais, que vez por outra nos sujemos com ela.
    Por isso a Bíblia diz que "...nos purifica de toda iniquidade." ´É uma constante. Todos dos dias precisamos limpar a sujeira acumulada de ontem, sermos purificados e não permitir que ninguém encha de novo o "quartinho" (nosso coração) de tranqueiras.
    É isso aí...Vamos limpando...
    Deus é conosco.
    Um grande abraço e Fique com Deus,
    Magdiel.

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